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"Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro" (I Tm 1, 15)
É louvável como o apóstolo Paulo se apresenta em suas epístolas: sempre humildemente, reconhecendo-se servidor, por vontade de Deus. Se somos servos de Cristo e da Igreja é porque Ele nos designou para isso. E não somos privilegiados com a perfeição por conta disso. Ao contrário, alcançamos misericórdia diante do Pai. "Dou graças a Deus, porque me julgou digno de confiança", (I Tm 1, 12), arremata São Paulo quando se dirige a Timóteo.
O ser humano é intermitente, vive com crises de identidade, altos e baixos, acelerações e pausas. Isso atrasa a nossa caminhada rumo à santidade. Deixamo-nos enganar muito facilmente pelo mundo, por nossos instintos humanos. Mas o pior engano é o de nós mesmos, de nossos fingimentos, nossas máscaras. É preferível que o mundo nos veja incorrer em erros do que encobrirmos nossas faltas com a aparência de uma vida reta.
Cabe lembrar a postura de São Paulo: ele mesmo se diz o primeiro pecador. Somos especialistas em apontar as falhas dos outros, julgando sermos os mais próximos da perfeição. É preciso ter presente que a Deus não enganamos. "Falamos não para agradar aos homens, e sim a Deus, que sonda nossos corações" (1 Ts 2, 4). Deus conhece as nossas intenções e não exigiria de nós uma perfeição utópica, pois sabe bem das fraquezas humanas. Mesmo os santos e santas sofreram provações. Os deslizes e quedas são colocados em nossa caminhada para que nos ergamos com ainda maior vigor, na certeza de que não se vive se não se busca a verdade. E a verdade é Cristo.
Tenhamos presente as recomendações de Paulo aos Tessalonicenses: "Procurai viver com serenidade, ocupando-vos das vossas próprias coisas" (1 Ts 4, 11) e "Não vos deixeis perturbar facilmente o espírito" (2 Ts 2, 2). O Pai se alegra com o retorno do filho perdido. Assim somos nós diante de Deus. O tempo de quaresma é propício para uma reavaliação da nossa conduta. Olhando com sinceridade para dentro de nós mesmos, logo nos reconhecemos como os primeiros pecadores, indignos de qualquer correção. Somente um reencontro com Deus pode nos guiar de volta para casa. Que Maria nos aconselhe, como mãe, nesta reaproximação. Paz e bem!
"Sei em quem pus minha confiança" (II Tm 1, 12)
Escrito por Tys às 13h09
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